20 de maio de 2015

depender não é amar

Eu acho que as pessoas distorcem o amor em uma relação de dependência sufocante. Porque eu posso amar meus pais e sair da casa deles em busca dos meus sonhos; Ou eu posso amar meus amigos e aceitar que eles tenham outros grandes amigos; Ou eu posso amar uma pessoa sem que ela ocupe todos os espaços da minha vida.

Na verdade, a palavra é exatamente essa: ocupar. As pessoas acreditam que amar é tomar posse, é ocupar cada pensamento da outra e fazer dela a dona de todos os seus pensamentos. E isso não é amor.

Isso é obsessão, é dependência. Como um dependente químico essas pessoas precisam do outro, da aprovação do outro, da permanência do outro em sua vida. Mesmo que isso a coloque em uma categoria inferior na vida do "amado". Porque o que importa para o dependente é manter aquele estreito vínculo que faz ele manter a esperança de que a dependência, um dia, seja recíproca.

Mas ai está a questão, ressonância não depende de presença, de contato, de unicidade. Ressonância é empatia e empatia não se toma a força. Ela simplesmente acontece. Com o tempo, com naturalidade, com diálogo, com a vida, com os objetivos em comum...

Sabe, a gente não pode forçar nossa presença, exigir a atenção, esperar que tudo seja pago na mesma moeda. A gente precisa ser livre para escolher, para amar. Para aceitar a si próprio antes de esperar pelos outros.

A gente precisa ser livre para escolher, para dizer não e para ir embora. Para conhecer o mundo e saber que temos um lugar seguro para voltar. Se importar não significa, agir esperando o retorno. Amar significa abandono. Significa segurança. Significa aceitar quando é hora de deixar as pessoas irem.